Gostei imenso do artigo que se segue, da autoria de Dr. Filomena Vieira, professora aposentada do Instituto de Surdos do Funchal. Foi publicado no DN-Madeira, na secção das cartas de leitor. Claro, coerente, iluminado e salienta em poucos parágrafos os capítulos da história do ISF que muitos desejam enterrar. Quem não entender o trabalho desenvolvido por toda a equipa, docentes, educadores, auxiliares e restante pessoal em prol de muitas crianças surdas, agora adultas e jovens que atire a primeira pedra.
Peço desculpa à Dra. Filomena Vieira por meter no meu blogue, mas não resisti!!!
Por Dra. Filomena Vieira:
"O Instituto de Surdos do Funchal - ISF tem desenvolvido o seu trabalho educacional específico de há 40 anos a esta parte, adaptando-se às tendências mais modernas e actuais. As anteriores correntes orientavam-se no sentido do oralismo entendido como proporcionador da plena integração, quer escolar, profissional ou social. "Remou contra a maré" de fundamentalismos, devaneios e incompreensão, sempre na defesa dos interesses dos seus utentes. Hoje é pacífico e plenamente aceite, por comprovação científica, que a Língua Gestual é e será a primeira Língua do Surdo.
Na Madeira, os Surdos também comunicavam e se escolarizavam. É prova disso, os bons exemplos de profissionais surdos nos vários Ramos e Sectores de Actividade Económica. Contrariando as orientações de então, os surdos em Portugal desenvolveram uma forma de comunicação gestual, mais tarde formalizada em, a Língua Gestual Portuguesa - LGP, e reconhecida em 1997 na Constituição da República Portuguesa.
Em 1995 foi criada a "COMISSÃO" visando formalização da LGP, que esqueceu ou ignorou ou desconhecia que também na Madeira e nos Açores os Surdos tinham desenvolvido uma linguagem gestual própria, cujos elementos poderiam e deveriam ter integrado a nova estrutura linguística.
Mas a educação dos surdos ficará incompleta se, ao ensino da LGP não se associar o ensino de técnicas tão específicas como o Treino da Fala e da Leitura da Fala, objectivando o bilinguismo, a par do cumprimento dos currículos académicos definidos para o diferentes níveis e graus de ensino.
O Presente é possível e o Futuro viável se existir um Passado. Todas estas reflexões vêm a propósito da realização do Seminário "A Educação dos Surdos e o Bilinguismo" organizado pela AP ADAM - Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos da Madeira. Para o referido evento foi convidado o "supra sumo" em Portugal na educação dos Surdos. Mas, e os da Madeira? O que se andou a fazer nestes 40 anos não seria digno de ser mostrado, também? O ensino da LGP nesta Região é recente: data do ano lectivo 2001/2002 e foi precedida da formação das formadoras Surdas, que se iniciou no ano lectivo de 1998/1999, graças ao empenhamento da então Direcção Técnica do ISF. Portanto, é perceptível a ainda pouca proficiência das nossas crianças, jovens alunos e professores na utilização corrente da LGP. Mas lá chegaremos.
Mas nem por isso, "essa lacuna" inviabilizou o prosseguimento de estudos de alguns jovens Surdos. Alguns já detêm o 12° ano, licenciaturas e outros estarão a frequentar e a terminar o Ensino Superior. E são já muito mais que 2 ou 3. De acordo com a nova legislação, a educação dos surdos deverá desenvolver-se num "ambiente bilingue" e de "concentração de alunos surdos, inseridos numa comunidade linguística de referência" (Art.º 23°e 4°-A do Dec. Lei 3/2008 de 7 de Janeiro), o que vem de encontro ao que é já proporcionado pelo ISF.
O bilinguismo ou seja, a proficiência linguística de duas línguas, não se adquire com a "forçada" interacção de comunicadores diferenciados, mas decorre da aprendizagem e desenvolvimento de uma delas, como primeira Língua, o mais precocemente possível.
O equilíbrio e o bom senso têm de imperar nas tomadas de decisão, pois uma coisa é Socialização, ao nível da Educação Infantil e Pré-escolar, outra será Aprendizagem Curricular Académica direccionada a um grupo com características especificas, tendo como princípio, que a educação inclusiva só será viável se dela não resultar "qualquer tipo de segregação ou de exclusão."
9 comentários:
Também gostei muito. Ainda bem que há gente que traz para a discussão estas temáticas tão esquecidas ou mais escondidas da sociedade.
Eu não gostei nada que a Professora Filomena escreveu este artigo...alguns que não mostrava por ter escondida muito. Não sou tonta...Sei tudo por ela não querer perder o seu trabalho. Tenho pena 100% a Margarida por não saber nada a vida dos surdos que tiveram mais sofridos que tu...Um dia os surdos vão lutar para contra os professores antigos.
Por amor de deus lá vem a saga, a Professora Filomena foi coerente, reflecte muito bem a problemática da situação que passa também em território nacional, é urgente encontrar uma solução eficaz.
Caro anónimo, escussas ter pena da Margarida, nem penses que ela está sozinha!
Olha para ela, está e muito bem, e de vida dos surdos sabemos o bastante e apercebi que de facto não vale a pena perder o nosso tempo com estas banalidades.
A vida não termina, continua, no processo de evolução...
M
Cá por mim, não me deixava levar por essa "cantiga". Coitadas a quem tentaram tapar o sol com a peneira. O que se escreveu no artigo é do conhecimento de todos quantos trabalham na área da Surdez. Nada de novo revela ,infelizmente, quando o que deveria vir à superfície são exactamente aquelas questões pouco conhecidas da sociedade e de um certo melindre que , para muitos alguns,é como se tocasse na ferida. Pode não ser detectável, mas o texto denota nitidamente tendências oralistas. É sabido que quando a LGP foi finalmente reconhecida pela Cosntituição Portuguesa, havia ainda muitas escolas que resistiam à sua implementação no currículo escolar.O que realmente faltou foi sobretudo a vontade de alguém que estava por cima e também da maior parte de próprios professores que ainda se agarram e acreditam nos benefícios (?) do oralismo, é esta a maior e principal razão do atraso notório na proficiência dos profissionais,tanto como de alguns Surdos, e dos resultados nefastos e irreversíveis que ainda se perpetuam no seu processo de educação e ensino. Sabe-se também que as repreensões das formas de comunicação gestual sempre houve antes do 24 de Abril, tanto como depois acerca de uma década e meia. Só a partir dos anos 90 é que foram desaparecendo gradualmente. Contudo, mesmo que incrível possa parecer, ainda existem casos esporádicos deste tipo da censura,em particular, nas escolas de tendências oralistas.
O bilinguismo sempre pode sem oralismo e também poderá ser completo sem esse mesmo,sem dúvida. Só será completo, se incluir uma verdadeira segunda língua dos Surdos: a escrita, justamente por ser elemento visual como a LGP. A pratica oral é discutível e apenas poderá, tal como diz o determinado decerto-lei, EVENTUALMENTE, ser ensinada conforme o caso específico do aluno Surdo. Porque se escreveu eventualmente? Porque a capacidade ou faculdade da fala não é extensível a todos Surdos por infinitas razões que não poderão caber aqui.Porém não quer dizer isto que os Surdos não sejam capazes de outras medidas tão importantes para a sua educação como é a escrita, por exemplo. Depois da LGP, a escrita é a melhor arma dos Surdos, e também provalmente a melhor maneira de usarem a sua Voz para reclamar, protestar ou simplesmente escrever a opinião. A área da escrita foi imperdoavelmente esquecida e negligenciada pelos profissionais oralistas. Não se investiu nem se investigou afincadamente neste campo que poderia levar os Surdos chegarem ao mesmo nível dos ouvintes. O oralismo levou um bom punhado de aqueles Surdos assumidamente oralistas, esses que conseguiram falar "mais ou menos", à ilusão de uma "terra prometida" no mundo de ouvintes que, na verdade, é mais uma... "TERRA de NINGUÉM", sem alguma possibilidade ou, quando esta existe, é surrealisticamente remota, de conquistar um lugar digno no mundo com que tentam a custo identificar-se... Francamente, tenho mesmo pena das duas. Serão mais duas almas despenadas e "desambientadas" na "terra prometida". Desejo a ambas muita boa sorte e sobretudo muita força que de certeza hão-de precisar muito no resto da vida delas. Lembrem-se que ser forte nem sempre significa ser feliz.
Antes de mais, "tri-la-la" (que raio de nome, podia colocar o seu nome verdadeiro, mas se prefere mostrar-se por anonimato, você é um cobarde, como muitos outros), li e reli as suas palavras. Denoto que sente alguma frustração pelos professores que menciona.Será que sabe que estamos numa sociedade democratica e devemos manifestar livre/ a nossa opinião, mas permita-me dizer, você tem maniazinhas de que tem razão e que o mundo gira à sua volta. Mas aceito o seu ponto de vista. Mas discordo a sua opinião. E quanto a me apelidar(e a mais uma "alma", quem será??? Serão duas?? )de forte, NÃO SOU FORTE e quanto à minha felicidade porquê mete-se na minha vida??
Apetece-me dizer META NA SUA VIDA!!! E não venha para aqui para despejar as suas frustações. E voce deve ser um ouvinte pseudo-amigo-dos-surdos-verdadeiro-inimigo-dos-ouvintes, para vir ao meu blogue despejar as suas raivas. Sincera/ nao sei pk perco tempo a dizer isso...BAH...escrevam, digam o k dizerem, digam tudo, digam mal de mim, digam mal da minha vida, digam mal das minhas opcoes de vida, afinal de k vida s trata vida??? É a sua?? E voce pensa k sou contra a LGP?? K sou contra os surdos?? E por haver surdos oralistas, porque desacarregar invejas enquanto os surdos gestualistas ñ conseguiram sê-lo???
Ponha o dedo na sua consciencia e deixe de se meter na minha vida!!!
Margarida, digo-te uma coisa: nunca pensei que alguns surdos tivessem tanta inveja de pessoas como tu que conseguem levar uma vida normal e não querem ser tratados como "coitadinhos", porque de facto não se sentem uns desgraçados.
O que eles gostavam era que criasses um blog de lamentações e raivas, que dissesses mal de tudo e de todos e lhes fosses alimentando a frustração...
Que pena...
Talvez isto ajude reflectir sobre as questões ocultas do tema:
Entrevista com o Prof. Carlos Skliar
http://www.folhadirigida.com.br/
htmls/Hotsites/Professor_2003/
Cad_05/EntCarlosSkliarFdg.htm
Boa leitura.
não consegui abrir este link...
Margarida, já tenho saudades de te ler :)
imagino que estejas em época de exames, por isso desejo-te muita sorteee!!!
beijinhos
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