Terça-feira, Setembro 23, 2008

"Ajudar a integrar os surdos: Os pais de alunos ouvintes estão a aderir ao novo projecto da 'escola de surdos' Inês Nunes de quatro anos partilha, este ano, a sala de aula com vários meninos surdos. Na sua nova turma de pré-escolar, composta por alunos ouvintes e não ouvintes, as educadoras falam com o recurso ao movimento das mãos, que acompanha o som da sua voz. Assim, atenta à professora para ver "como se faz com as mãozinhas", vai lentamente aprendendo a interagir com os seus novos amigos que não falam, ao contrário dela.  A Inês é uma das 25 crianças ouvintes que frequentam a Escola Básica do 1º Ciclo com Pré-Escolar Professor Eleutério de Aguiar, uma escola de referência para crianças surdas. O projecto de introdução de alunos ouvintes neste estabelecimento de ensino, que está em fase de experimentação, visa a mais fácil integração dos alunos com Necessidades Educativas Especiais numa sociedade com diferenças.  Quando ouviu falar deste projecto, Carla Nunes, a mãe da Inês e da Ana Maria, que frequenta a sala dos mais velhos, ficou entusiasmada. "Queria ajudar os não ouvintes", justificou ontem ao DIÁRIO, acrescentando que sendo esta uma escola de referência, nem hesitou.  Como trabalha na área da Educação Especial, já frequentava a Escola Professor Eleutério de Aguiar. "Tinha aulas de língua gestual", revelou. E seguiu: "às vezes trazia a minha filha mais velha", por isso "ela já está algo familiarizada com este ambiente". No entanto, como só tem uma semana de convívio com os seus colegas, "ainda não apanhou bem os gestos".  Tal como esta mãe, os pais de 26 outros alunos ouvintes, que poderiam estar integrados numa escola dita normal, escolheram a Eleutério de Aguiar para os seus filhos que frequentam a pré-escolar. Além do português, têm um bónus: a Língua Gestual Portuguesa.  O desabrochar das palavras Com alguma dificuldade, a pequena Carla Patrícia ia articulando as palavras. Ao fundo da sala, a mãe, orgulhosa, escondia a lágrima no canto do olho. Foi o seu primeiro dia na Escola Eleutério de Aguiar, mas a sua surdez média não impediu que contasse à nova professora que foi a tia Cristina que lhe ofereceu o estojo da 'Polly'.  O apoio e dedicação dos pais e professores é vital para que estas crianças surdas se possam fazer compreender. "Muitos têm dificuldades na articulação e isso, por vezes, desperta neles uma certa revolta", explicou a professora Fernanda Gouveia, acrescentando que só sentindo que são apoiados ao máximo pelos pais e professores conseguem ultrapassar essa barreira.  Para uma criança surda de sete anos assimilar uma palavra que seja banal para uma criança ouvinte de quatro anos, é preciso trabalhá-la em vários contextos. "Não podemos seguir à risca um livro, temos de o adaptar para tentar enriquecer o vocabulário deles", explicou.  "Levamos anos a semear", contou. "Os pais ficam desesperados porque os seus filhos não dizem pai ou mãe", mas ficam encantados quando, de repente, começam a articular correctamente as palavras. "É um desabrochar ao nível da linguagem, que é gratificante". 
Foi retirado do DN de hoje.

3 comentários:

Margarida disse...

Olá.. gostei muito do seu blog. Sou ouvinte, brasileira, e também tenho um blog sobre Surdez, que divulga trabalhos acadêmicos sobre Educação de Surdos, Línguas de Sinais, etc...
O endereço é: http://blogvendovozes.blogspot.com Aguardo sua visita e comentá
rios. Também vou adicionar seu blog na minha lista de blogs! Abraço
Vanessa

http://www.blogger.com/profile/02660678179167570814
Vanessa, obrigada por visitares o meu blogue, és sp bem-vinda.
Apaguei sem querer o seu comentário; fiz copy-past para reaparecer.
Cumprimentos de Portugal :D

reb disse...

Aqui está uma boa iniciativa.
Fizeste muito bem em divulgá-la :)

beijinhos

Sofia Barros disse...

Margarida, ja ha algum tempo que não lia os teus blogs e com muita pena apercebi-me que "perdi" alguns posts importantes e não estive la para te apoiar. Felizmente verifiquei que tens muita gente que esta do teu lado, pessoas com bom senso, racionalidade e sobretudo respeito. Eu defendo a liberdade de expressão e claro que tb partilho a tua opinião. Quando me contaste tdas as atrocidades que escreveram e disseram sobre ti, não só fiquei chocada como profundamente triste. Eu conheço-te desde pequenina, sempre foste a prima da brincadeira, das histórias de infância, das tontices da adolescência e das conversas de toda a vida. Quando éramos crianças n tinha noção do teu problema. Sabia que era necessário falar directamente para ti, pausadamente, repetir quando não entendias, por vezes preferias q exemplificasse com gestos mas os tios repreendiam-me se os usasse demasiado. As vezes aborrecias-te quando não pronunciavas bem as palavras e por vezes tinhas preguiça de cumprir as ordens da tua mãe: a lingua tem de empurrar os dentes da frente para o "te" ou enrola a lingua "le"ou põe a mão a frente da boca e sente o ar a bater quando dizes "pe". Quando começamos a aprender a ler, era notável que os brinquedos nos aniversários foram substituidos por livros. E tu adoravas! Apercebia-me que tinhas um horario escolar mt preenchido com aulas e apoios tds os dias. Aos Domingos la contavas as tuas peripécias da escola, ao som dos Backstreet Boys, que cantavas desafinado mas dançavas melhor q eu. Foste-te tornando uma optima aluna, uma pessoa muito interessada e curiosa, alias eras a única adolescente que eu conhecia q gostava de ler o DN. Uma rapariga com imensa cultura e cheia de força.
Eu desvalorizava a surdez porque sempre te vi como uma pessoa não surda. Para mim não és surda, mas uma ouvinte muito especial. Sinceramente, era ja muito crescidinnha quando me apercebi que nem todos os surdos são como tu.
Agora sim, compreendo a tua realidade e apercebo-me, olhando para todo o teu percurso, que não foi nada fácil chegares onde chegaste. És uma das pessoas que mais admiro. Lutas sempre pelos objectivos a q te propoes e n deixas de fazer algo só porque para ti é mais complicado.
Magui, n importa o q pensam os demais, ha pessoas como eu que sabem o teu valor e dão-te tdo o mérito que mereces. Sabemos que não houve nem um dia da tua vida q não tivesses de ultrapassar obstáculos devido à tua surdez e valorizamos cada esforço na tua progressão no mundo dos ouvintes, que é o teu mundo!

Sabes q ouves mais q muitos ouvintes.
Surdez? Isso é relativo!