Domingo, Novembro 22, 2009


NOTICIA DO CORREIO DA MANHÃ: uma óptima notícia para os futuros papás e para a Medicina! 


Audição: Hospital do Barreiro faz o teste a todos os recém-nascidos

Rastreio auditivo mais fácil

O Serviço de Obstetrícia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, começou a fazer o rastreio auditivo aos recém-nascidos com nova tecnologia e, de 1 de Julho a 10 de Novembro, foram rastreados 697 recém-nascidos. Destas crianças, apenas uma se encontra sob vigilância a efectuar exames para apurar se tem ou não algum problema na audição.

Estes resultados vêm ao encontro dos dados da Sociedade Portuguesa de Pediatria, que revelam que a incidência da perda bilateral auditiva significativa – surdez relativa aos dois ouvidos –é estimada em um a três por mil recém-nascidos saudáveis e em 20 a 40 por cento dos recém-nascidos de risco, sendo diagnósticos muito superiores a de outras patologias, também elas alvo de rastreio precoce sistemático.
Desde Julho que o rastreio auditivo aos recém-nascidos do Serviço de Obstetrícia daquele hospital passou a ser mais fácil, sendo feito através de um aparelho de detecção de otoemissões acústicas, oferecido pela Liga dos Amigos do Hospital do Barreiro.
Luís Miranda, enfermeiro da Unidade de Obstetrícia e um dos profissionais responsáveis pelo rastreio auditivo, explica: “Antes de termos o aparelho fazíamos o rastreio auditivo, mas agora passou a ser mais fácil. Todas as crianças em situação de risco são encaminhadas para a especialidade de otorrinolaringologia para se chegar a um diagnóstico.”
A técnica audiologista Anabela Pestana explica que, por vezes, o recém--nascido pode ter o canal auditivo sujo com secreções do parto, dificultando o resultado do exame. “Essas secreções acabam por sair ou ser absorvidas pelo organismo, sendo possível apurar se a criança tem algum problema auditivo.” Segundo a técnica, o teste é fácil, rápido e não-invasivo, mas só possível quando o bebé está calmo, pois há que introduzir a sonda no canal auditivo.
CRIANÇAS SÃO ACOMPANHADAS POR ESPECIALISTAS
O rastreio auditivo e consequente acompanhamento clínico das crianças é feito por uma equipa multidisciplinar que inclui especialistas em otorrinolaringologia, pediatras, técnicos de audiologia e enfermeiros especialistas em obstetrícia. 'É indispensável e essencial a multidisciplinaridade no acompanhamento destes casos e aqui, no Hospital Nossa Senhora do Rosário, temos uma boa equipa, empenhada, que todos os dias assegura o rastreio auditivo a todos os recém-nascidos', assegura Ribeiro Mendes, responsável da Unidade de Otorrinolaringologia.
LIGA OFERECE DONATIVOS
O aparelho Echoscreen, que permite efectuar o rastreio auditivo aos recém-nascidos, através da detecção de otoemissões acústicas, foi oferecido ao Hospital Nossa Senhora do Rosário pela Liga dos Amigos do Hospital do Barreiro. O aparelho custou cerca de 4000 euros. Vítor Munhão, presidente da direcção, salienta que os donativos são possíveis através dos apoios do mecenato. 'Já temos contribuído com equipamento e material e ajudamos os doentes mais carentes.'
VACINAS PODEM EVITAR DEFICIÊNCIAS
Os especialistas afirmam que as vacinas evitam a deficiência auditiva. No entanto, existem causas desconhecidas e outras conhecidas da ciência que provocam este problema. De entre os factores de risco que levam à falta de audição contam-se as infecções adquiridas pela mulher durante a gravidez. As infecções mais graves são a rubéola, sífilis, herpes, toxoplasmose ou a infecção provocada pelo vírus citomegalovírus. Nascer com baixo peso (menos de 1500 gramas) também contribui para a surdez. As doenças da infância (sarampo, tosse convulsa, papeira) podem também contribuir para surdez.
SAIBA MAIS
CENTRO NACIONAL
O Serviço de Otorrinolaringologia do Centro Hospitalar de Coimbra é onde se situa o centro nacional de implantes cocleares.
700
pessoas com surdez são associadas da Associação Portuguesa de Surdos, que conta com intérpretes de Língua Gestual no apoio aos utentes.
84 172
é o número de deficientes auditivos em Portugal, segundo números de 2001 do Instituto Nacional de Estatística.
EXCLUÍDOS
Em Portugal, os surdos são excluídos da vida religiosa devido à inexistência de intérpretes nas igrejas ou de padres que saibam linguagem gestual.
DISCURSO DIRECTO
'O BAIXO PESO PODE CAUSAR SURDEZ', João Ribeiro Mendes, Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário
Correio da Manhã – Quando é que um bebé deve fazer o rastreio auditivo?
João Ribeiro Mendes – 0 rastreio deve ser feito 48 horas após o nascimento e antes da alta clínica.
– Quais são as causas da surdez infantil?
– Há várias causas que contribuem para a perda ou diminuição da capacidade auditiva da criança. As situações de risco são o baixo peso, ou seja, a criança nascer com um peso abaixo dos 1500 gramas, ser prematura – ter nascido antes do termo da gestação –, ter antecedentes familiares de deficiência auditiva ou ainda quando acontece uma situação de icterícia neonatal.
– O que acontece aos casos mais complicados?
– As crianças que necessitam ser submetidas a uma intervenção cirúrgica para receber um implante coclear são encaminhadas para o Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa.
– Que consequências tem um problema auditivo para o desenvolvimento de uma criança?
– A perda da capacidade auditiva durante a infância interfere no bom desenvolvimento da linguagem e na qualidade da verbalização.

O MEU CASO: FELIPA ALMEIDA
'TUDO BEM COM A FELIPA'
Felipa nasceu dia 9 de Novembro de 2009, com 2,9 quilos, cinco horas depois de a mãe, Liliana Almeida, 30 anos, ter dado entrada na Urgência de Obstetrícia, no Barreiro. Dois dias depois fez o rastreio auditivo. Enquanto dorme, a técnica audiologista Daniela Monteiro introduz a sonda na entrada do ouvido da pequena Felipa. Estranha o zumbido do aparelho e remexe-se na cama, sem abrir os olhos. 'Vê--se que está atenta e a tentar perceber o que lhe está a acontecer, e essa atenção significa que a criança está a ouvir bem', explica a técnica Daniela Monteiro. O rastreio auditivo termina com o esperado resultado: 'Não há alterações, está tudo bem com a audição da Felipa.'
PERFIL
Liliana Almeida, de 30 anos, é sargento electricista na Marinha, tal como o seu marido, Arlindo Almeida, de 30. Foi na Marinha que se conheceram e apaixonaram. Agora foram pais pela primeira vez, de Felipa, que nasceu a 9 de Novembro, no Barreiro. A família vive feliz no Pinhal Novo, em Palmela.
IMPLANTES NO CRÂNIO
Algumas crianças surdas profundas podem ser operadas para a colocação de um implante coclear, que fica na cabeça.
MÚSICA ALTO A EVITAR
Os especialistas alertam que estão a aumentar os casos de surdez entre os jovens por ouvirem música muito alto.
PREMATUROS SURDOS
Os bebés que nascem antes do termo da gestação ou com um peso muito baixo têm maior risco de nascer surdos.


Domingo, Junho 28, 2009

EXISTEM 84. 172 cidadãos em Portugal com deficiências auditivas (INE, 2001)
Oitenta e quatro mail...são muitas pessoas, pois não? E cerca de 700 são associados da conhecida associação portuguesa de surdos, com sede em Lisboa, a meu ver muito pouco em relação à maioria da população com deficiência auditiva. Para além desses números não podemos descurar as dezenas de micro-associações, que têm um número simpático de membros. Sem me alongar, provavelmente poderão existir mais pessoas com deficiência auditiva que usam a língua portuguesa falada, em detrimento da língua gestual portuguesa. As crianças que nascem com deficits de audição, actualmente, são acompanhadas e a tendência é para o uso crescente do implante coclear, visando uma aprendizagem célere, o que acho muito bem...Assim estarão aptas a se integrarem facilmente na sociedade. E pelo que tenho registado muitos pais ouvintes têm a preocupação extrema de passarem os valores de inclusão, fazendo todos os possíveis para que os seus descendentes sejam integrados em escolas do ensino regular. Infelizmente denoto que para isso é preciso muito esforço intercalado com burocracias. Com o tempo lá chegaremos.

Terça-feira, Maio 26, 2009

Emese puro. Ou talvez uma réstia de infantilidade, imoralidade e desrespeito pelos ideais intocáveis, derivados da consciência ética da pessoa por quem nutro um grande apreço. Belas palavras, mas ocas. Ideias consistentes, mas nulas. Objectivos dissimulados, mas concretos. É pretendida uma objectividade para muitas subjectividades. Mas aí ninguém se atreve pisar!  “Penso, logo existo”. E a existência de cada um é livre. Bem como pensar. Escolher o nosso caminho. E metáforas não são precisas, somos quem somos, unos e individuais!

E aqueles que me ousam retratar como sou, efectivamente, eu agradeço a chamada de atenção. Vejam os artigos do colégio de Especialidade de Medicina de ORL. 

Quarta-feira, Março 25, 2009

Hospitais de Coimbra realizam operação inédita

Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) realizaram este mês, pela primeira vez, uma cirurgia que possibilita a colocação de um implante auditivo em pessoas com surdez neurosensorial, melhorando de forma significativa a sua qualidade de vida, revelou esta quarta-feira uma fonte hospitalar.

António Diogo Paiva, director do Serviço de Otorrinolaringologia dos HUC, referiu que o recurso a estes implantes do ouvido médio é já uma prática comum, desde há alguns anos, na Europa e nos Estados Unidos da América, com elevado grau de sucesso nas pessoas afectadas pela surdez que vai aparecendo com a velhice. De acordo com o director dos HUC, “a partir dos 50/60 anos, cerca de 30 por cento da população é afectada por surdez”.

 

De acordo com Diogo Paiva, estes implantes são muito importantes, sobretudo, em pessoas que rejeitam as próteses auditivas convencionais. Através de uma intervenção cirúrgica, o implante é colocado no ouvido médio e a bateria minúscula que o alimenta é inserida entre a pele e o osso. Após a cicatrização, um “software” faz o ajustamento e afinação do dispositivo.

Noticia retirada do Correio da Manha

SÃO OPTIMAS NOTICIAS...A CIENCIA CORRE A FAVOR DO RESTABELECIMENTO DAS NOSSAS FACULDADES AUDITIVAS...E EU FICO À ESPERA DE OUVIR...NATURALMENTE! UM BEM-HAJA AOS QUE SE DEDICAM EM PROL DOS DEFICIENTES AUDITIVOS :)

 

Quarta-feira, Março 18, 2009

Segundo informação veiculada hoje pelo DN-Madeira, "há falta de intérpretes de LGP" na RAM por motivos legislacionais e de outra ordem e será tema de debate de um ciclo de conferências.

A notícia pode ser vista na íntegra, aqui.

"O surdo deve ser visto como pessoa visual".

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Aqui deixo a notícia, na íntegra.
21 Janeiro 2009 - 13h53
 

Reforma em curso vai ser alvo de avaliação

Governo investe no ensino especial

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu hoje que o investimento de 215 milhões de euros previsto este ano para a educação especial é o "maior de sempre", frisando que este é "o único sector da área educativa que teve sempre incrementos no investimento".

O governante falava durante a apresentação do projecto de avaliação e acompanhamento da reforma do ensino especial, que terá o contributo do sueco Rune Simeonsson, autor do modelo de sinalização de crianças com necessidades especiais conhecido por CIF (Classificação Internacional da Funcionalidade), cuja aplicação em Portugal tem gerado alguma controvérsia. Presente na apresentação, o especialista admitiu que Portugal é o primeiro País onde o modelo está a ser aplicado no ensino e atribuiu a polémica ao facto de constituir uma 'mudança radical' em relação ao que existia. As críticas prendem-se com o facto de, alegadamente, muitas crianças que anteriormente estavam inseridas no ensino especial terem agora ficado de fora.

Valter Lemos responde assim: 'O objectivo não é ter cada vez mais crianças no ensino especial mas ter as respostas adequadas a cada criança'. A investigadora Manuela Sanches vai coordenar o projecto de avaliação da reforma da educação especial que vai durar dois anos e cujos resultados preliminares serão conhecidos dentro de seis meses.

Manuela Sanches vai coordenar o projecto de avaliação da reforma da educação especial que vai durar dois anos e cujos resultados preliminares serão conhecidos dentro de seis meses.
Bernardo Esteves

Aqui divulgo uma notícia, do CM. Quando tiver oportunidade, mais tarde, farei declarações a respeito dessa mudança no Ensino Especial em Portugal.

O Ano de 2008 foi fértil em descontentamentos por parte (felizmente, da maioria) dos pais e encarregados de educação das Crianças e Jovens com deficiência auditiva quanto ao D.L. de 03 Janeiro de 2008. Foi um ano desastroso para a educação regular, com as sucessivas mudanças e reformas impostas por Maria de Lurdes Rodrigues. Foi um ano de luta intensa dos professores, devido à reestruturação do sistema de avaliação dos docentes. Foi o primeiro ano em que a média dos exames nacionais, em especial, os de Matemática subiu, se não estou em erro, para positiva. A Escola Secundária de Jaime Moniz registou um record de notas 20 desse mesmo exame. Muitas mudanças ocorreram no sector da educação no nosso país…E, a nível particular, foi em 2008 que foi implementado o sistema ECTS (Sistema Europeu de Transferência de Créditos), na ESTSP, para minha satisfação e rejúbilo, a conclusão do Curso Superior de Análises Clínicas e Saúde Pública permanece nos actuais quatro anos.

Vou continuar atenta à realidade dos jovens portugueses, em particular, nas crianças e jovens com deficiência auditiva! Também estou disponível para eventuais esclarecimentos de pais, educadores, tutores e demais curiosos. E, nesta linha, aproveito para agradecer o apoio incondicional dos meus amigos, que pintam a minha vida a cores. E deixo registado aqui, um beijinho especial, pela tua paciência e dedicação, B.!

 

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Dina Teixeira Gomes - Especializada na problemática da deficiência
A propósito de surdos e surdez
Data: 15-10-2008
" Nos últimos tempos tem-se visto em alguns artigos saídos na imprensa local o termo "surdos" ser aplicado de forma incorrecta e indiscriminada. Penso que ao utilizarem o termo as pessoas se querem referir à deficiência auditiva em geral e não à surdez em particular, pois esta é um dos graus de deficiência auditiva como, por exemplo a cegueira o será da deficiência visual.  Não se pode nem se deve confundir e usar indiscriminadamente estes termos. No caso da audição há que localizar com precisão o problema (ouvido externo, ouvido médio, ouvido interno e região coclear) pois a sua localização no mecanismo da audição, a altura da vida em que o problema surgiu e se agudizou, as consequências que daí advieram e as exigências e formas de intervenção a utilizar não são as mesmas para todos os casos. Por outro lado, antes mesmo de nos ocuparmos da integração da criança, se não estão preenchidos todos estes requisitos, há que lutar contra a sua desintegração partindo mais das suas potencialidades como crianças que são, do que das suas limitações. Para isso impõe-se mudar certas mentalidades, olhando e valorizando aquilo que torna cada criança como "única".  A intervenção dos responsáveis será complementada com todos os apoios e técnicas necessárias existentes, de forma a que todas as crianças possam crescer "sem violência" e de acordo com a sua realidade pessoal. Em tempos tive oportunidade de referir nos meios de comunicação social que integrar implica tanto o integrador como a pessoa a integrar, daí a necessidade de estudarmos a fundo a problemática da deficiência e quem a vai pôr em prática, os apoios disponíveis, as exigências e limitações da sociedade de forma a que todos caminhem no mesmo sentido a fim de dar consistência à integração e segurança à criança a integrar.  A Madeira, no capítulo da educação de deficientes de audição, tem uma experiência desde 1963/65 coordenada e dinamizada então pelo professor Eleutério Gomes de Aguiar, que foi reconhecida, tanto a nível nacional como internacional, como experiência inovadora que revolucionou o que até então se fazia no nosso país. Pena é que alguns dos implicados na matéria não tivessem, por não querer ou não saber, dado continuidade ao que então fora iniciado, permitindo que se interrompesse o despiste e intervenção precoce como prática que durante muitos anos foi corrente na Região em educação especial. Lembro das equipas multidisciplinares na altura criadas onde a colaboração de todos foi imprescindível. Nada foi feito ao acaso e de animo leve. Depois do que vimos pelo país fora sabíamos ao escolher esta forma de intervir que estávamos no caminho certo. A par dos serviços de saúde e educação contava-se com intervenção das famílias, dos serviços sociais, da psicologia recém-chegada e ainda sem experiência nesta área e da comunidade em geral incluindo a religiosa sem a qual o nosso trabalho não teria chegado a todos os recantos da Região. Pelo que se viveu nesta terra penso que mais do que dar ênfase ao local actual de intervenções e às técnicas previamente escolhidas há que estudar de forma muito responsável a resposta a dar a cada situação real.  O caminho a seguir não poderá ser o de dar o mesmo a todos mas de dar a cada um aquilo de que necessita. Só assim se poderá consolidar o desenvolvimento afectivo, cognitivo, social e académico das pessoas com deficiência. Nisto parece estarmos minimamente de acordo com o que parece ser a vontade de alguns dos nossos governantes.  Agradecendo a oportunidade de voltar a expressar a minha forma de ver, pensar e sentir a problemática da deficiência auditiva, subscrevo este artigo na convicção de que contribuí para clarificar a situação ajudando aqueles que têm o espírito aberto a ideias mesmo que não sejam as suas."

Prof. Dina, li o que escreveu no DN-Madeira. Estou inteiramente de acordo. E existem surdos que acham que não são deficientes auditivos e nem admitem isso!!!